"Porque, de repente, deu-se conta de que era saudade. Mas foi surpreendida ao descobrir, com isso, que saudade não existia apenas para o passado, mas também para o anseio de futuro.
E soube que essa dor, talvez, fosse a pior. Saudade de momentos ainda não-seus.
Rezou à Peruda, o garoto guerreiro tupi que dominava o reino daquela loucura.
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Mas como é que se quer de novo uma coisa que ainda não teve? Perguntaram, ela o pequeno viajante do vento, tentando enganar aquela serpente que a convencia ao pecado do desespero.
A serpente, esperta e sagaz, explicou que o amor era a tal maçã do poder, e que era possível, sim, que ela sentisse tal febre por apenas cobiçar, afinal, o coração feminino era cheio de razões obscuras. Então, encheu seus olhos com imagens vivas da tal vida plena, e ela se viu senhora-protagonista daquela história ainda não escrita. Sentiu, mais uma vez, a pontada da falta, do espaço exato, no vácuo, para o encaixe das tais quatro palavras: A-M-O-R
Entregou-se.
Amor e serpentes não são boas companhias quando juntos. Nem menino guerreiro pode vencê-los."
in
7 mulheres,
Samantha Abreu (Poeta, Brasil, Londrina)